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sábado, 29 de dezembro de 2007

Antes Tarde Do Que Mais Tarde

28 de dezembro de 2007. Ontem, dia 27, só depois de estar na rua lembrei que havia prometido não mais sair de casa nessa data, por motivos na verdade insignificantes. Uma implicância de estimação minha, mas já passou. Voltei ‘ilesa’ e feliz com a sandália que papai me deu. =)

Mas tá, não era disso que eu queria falar. Comentei a data apenas para ressaltar o fim de mais um ano. Faz dias que eu ensaio um balanço, uma ‘retrospectiva’ a compartilhar com eventuais desocupados que por acaso esbarrem neste blog. Prontos?

Em uma frase, tentar resumir meu 2007 gera uma pergunta: por que demorou taaanto pra acabar, afinal? Gente, que ano mais out of the little house! Olha que eu nunca fui a nenhum parque de diversões [desfaz já a cara de ‘meu deus, ela é um E.T.’], mas acho que tive uma idéia do que seria passar 365 dias numa montanha russa.

Aprendi na marra que nem sempre as pessoas merecem nossa dedicação, nunca mais que eu tiro a bola de cristal da tomada quando souber quão certa ela pode estar. Também não confio novamente em horário divulgado meses antes dos compromissos, mesmo; Foi o ano em que mais perdi a linha, e muito sono também.

Foi um ano quase sem o Nenhum de Nós, mas tão literário, e tão cinematográfico... Gratificante, extenuante, ‘o inferno e o céu’; Muita aula, muito trabalho, abandonei alguns vícios, adquiri outros [chá de hortelã, croissant de frango, livros³, guaraná power]... Vários sustos, saudades imensuráveis.

Libertei-me de fantasmas, fiz o que devia – mas também o que não queria, abusei da boa vontade de quem não merecia, também dos que nem precisavam me apoiar tanto, mas que dois meses depois ou varou a meia noite comigo num dos melhores shows que já assistimos, ou me aturou mais um pouco quando ninguém mais entendeu o que eu escrevia.

Eu perdi quatro brincos em 2007, assim não dá! Mas n’uma segunda feira qualquer eu estive no lugar certo na hora certa, e nunca uma véspera de feriado da Proclamação da República foi tão memorável, ainda que tenha sido o novembro mais alucinante que vivi até agora; pesadelos, crises de pânico, telefonemas além da meia noite; Ah, e me tornei uma covarde de primeira categoria, já fui mais merecedora dos méritos a mim atribuídos.

Eu suspeitei de várias doenças, me decepcionei mais que de costume, chorei fundo como quando criança levada; Me entupi de remédio, de música, de poesia; Me apaixonei loucamente, renunciei a mim mesma e sobrevivi; Descobri pessoas desprezíveis, de fato, mas tantas outras incríveis, várias essenciais, algumas indiscutivelmente necessárias. Atrevo-me a alguns nomes: Ju Ventura, Ju Martins, Nira, Guilherme, Aline, Rita, Daniele, Daniela Yanno, José Cláudio, Lani, Cláudia, Sérgio; Porque no fim das contas a vida é feita da soma da gente que a gente encontra pelo caminho, mais precisamente do que essa gente desperta em nós.

Aos fiéis escudeiros, Carol, Débora, Rogério, Fernando: acabou. Que 2008 lave [e leve] o ruim de 2007 e reforce o que houve de bom, em dobro, triplo, o quanto nós acharmos que merecemos, porque nós merecemos sim muito mais do que murmurar ao longo dos meses ‘tem piedade, ó Satã, da minha atroz miséria’*.

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*BAUDELAIRE, Charles. As litanias de satã. In: ________ . As flores do mal. trad. Ivan Junqueira. São Paulo: Nova Fronteira, 1990. p. 423.

7 comentários:

  1. Owwww melhor texto até agora... XP

    zuera... XD

    poizé como diz um amigo meu esse ano foi "Death Metal". Não só para você, mas para muitos que devem estar aqui lendo esse texto agora...

    No mais, fica a expectativa de um 2008 mais feliz...
    [putz que final horrível, mais pó são uma da manha XD ]

    =*

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  2. A menina era tão bonita, tão altiva e etc, que eu esqueci que a história na verdade é muito triste. Só percebi agora, com o teu comentário...

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  3. pena a menção ter sido de perdas, nunca pensei que pudesse causar tanto preju, mas tud bem. realmente este ano foi um desastre, mas é após o desastre que se reconstroi, para levantar à de cair...
    quem canta seus males espanta, quem escreve seus males encara, pois eh... não é fácil escrever, mas é isso que da qualidade as palavras...

    "...ou me aturou mais um pouco quando ninguém mais entendeu o que eu escrevia."
    desculpa se eu plagiar, mas se fieram isso por ti, tu fizeste por mim, pq teve que ler muita asnera, e ainda por cima incentivou...
    bem acho que isso é mais um depoimento do que um comentário, mas bele, nao se escolhe o tamanho ao se cuspir palavras...
    espero que 2008 lhe seja mais agradável, ou quem sabe aturável (desculpa, mas eu to sendo até otimista...) bem, boas festas,
    bjo
    (ah... e não para de escrever, mesmo que penses dpois que não era aquilo que querias dizer; senão fosse assim, crees que existiriam pessoas como vinicius de moraes? carlos drummond? e tantos outros?chamamos de pensadores aqueles que deixaram de pensar, para deixar fluir...)

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  4. É, parece que muita gente compartilhou um 2007 repleto de longas quedas, inclusive eu... rsrs. Descemos novamente ao Degrau do térreo quando já estávamos no sétimo andar de um prédio de dez. Mas toda descida tem fatores positivo que valem por todos os negativos. Um deles é a capacidade que temos de nos reerguer, de renascer das cinzas como uma fênix, outro é a vantagem de poder refazer o caminho com mais acertos do que erros, além do aprendizado é claro. Como dizia um velho amigo, "o homem aprende com os erros, é próprio dos inteligentes tirar proveito do fracasso".

    Esse ano temos a oportunidade de reescrever o nosso livro da vida mais maduro e analisando melhor os nossos passos e que os andares não sejam apenas dez, mas vinte, trinta, mil, ou que não acabe nunca para não perdemos a força de ir mais longe e para não pensarmos que chegamos ao topo e fiquemos estagnado no tempo.

    Que este ano a inspiração não se perca no caminho e possamos escrever cada vez mais.

    Feliz ano novo e que mais palavras possam brotar no seu blog.

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  5. Que 2008 seja infinitamente melhor
    ;*

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  6. Nay, Visitando seu blog encontrei esse escrito seu e 2007 me veio a cabeça instantaneamente. Lembrei das lágrimas, dos risos, do desespero, da dor, do amor perdido, do consolo, da menina crescendo mesmo sem querer...saudade de vc.
    Bjussss...
    Claudia.

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