Pages

quarta-feira, 29 de setembro de 2010

Mais silêncio ainda

Então que eu fiz um blog novo e tava animada zuuuper pra escrever loucamente, aí o que acontece?

Eu travo.

Isso, travei de novo, como há uns tempos aconteceu no Conta-Gotas. Até tem o que escrever, mas é tão ruim que eu não tenho coragem de publicar, seria algo tipo 'auto-vergonha alheia', saca? Então pressinto um período de silêncio por aqui [por favor, escondam a cara de alívio, eu tô sensível!]. aí provavelmente eu volto com um texto fodinha pra provar a cura.

***

Mas em tempo: li agora no blog da Amanda uma citação do George Orwell que eu poderia usar pra justificar muito blá blá blá sem nexo ou proveito: Se a liberdade significa alguma coisa, será sobretudo o direito de dizer às outras pessoas o que elas não querem ouvir. 
.
.
.

Rá, taí! o respaldo que eu precisava pra encher todo mundo! Mas relaxa, vou usar não. Acabei de receber um e-mail do Medina [saudade do NEA...] e um trecho dizia assim: Ninguém entenderá os problemas complexos de sua existência. Exercite o silêncio. Então, por enquanto, fico aqui pensando em como fazer, o que escrever pra ficar mundialmente famosa escrevendo - aproveito os impulsos caligráficos [?] pra trabalhar em ideias mais sólidas, pra mais além...  Tô até  lendo [agora, decentemente] o livro "Para ler como um escritor", da Francine Prose. Depois, quem sabe, a coisa vai...

sábado, 25 de setembro de 2010

Confesso:

Queria poder, sei lá, cuspir as idéias no papel. Ok, parece meio nojinho, mas uso cuspir na falta de palavra melhor que traduza o imediatismo e simplicidade com que preciso e tenho vontade de registrar tudo que me ocorre, assim cerebralmente falando.

Essa necessidade de esperar a velocidade das mãos pra escrever me agonia, incomoda, atrasa e confere novo aspecto ao grande bolo metamórfico de dor que carrego e poucos percebem [ainda que, de um tempo pra cá, desconfio que esse povo anda me olhando com lupa - juro que não é tão grande quanto parece].

O menos ruim é que, com cada vez mais freqüência, esse é o maior – quando não o único – problema. Aí o desafio é só descobrir um jeito de externar a bagunça mental do modo mais fiel possível à intensidade interna: nem menos, nem mais – que infelizmente é como, na maioria das vezes, acaba saindo...

domingo, 12 de setembro de 2010

Tudo novo de novo

Vamos começar
Colocando um ponto final
Pelo menos já é um sinal
De que tudo na vida tem fim

Vamos acordar
Hoje tem um sol diferente no céu
Gargalhando no seu carrossel
Gritando nada é tão triste assim

É tudo novo de novo
Vamos nos jogar onde já caímos
Tudo novo de novo
Vamos mergulhar do alto onde subimos

Vamos celebrar
Nossa própria maneira de ser
Essa luz que acabou de nascer
Quando aquela de trás apagou

E vamos terminar
Inventando uma nova canção
Nem que seja uma outra versão
Pra tentar entender que acabou...
*
*
*
Porque Paulinho Moska manja, bicho. Manja pacas!

No fim, a gente nunca sabe bem por onde começar

Começa, reformula, termina, reconsidera, tenta de novo. E vai tentando. Porque também existe isso de pessoas de bem não terem sorte, essas precisam de estrelas mais brilhantes e anjos da guarda mais atentos, dobrando turno pra cuidá-las quando os sonhos distraem demais e as aproximam dos perigos.
.
.
.
Talvez por isso então tantas coisas tenham fim: pra que possamos tentar do início outra vez.

(dedicado à uma estrela saltitante com um pouco mais de sorte que eu)

terça-feira, 7 de setembro de 2010

Então que de repente eu tenho vontade de ouvir tudo que mais me dói do Chico, esse Chico que nunca fui capaz de te fazer apreciar comigo. O mesmo Chico que sobrevive às lacunas temporais na minha vida.

Exatamente como você.

Porque a história de que os opostos se atraem [fora da física, nesse contexto], então pelo menos eu vislumbro uma explicação pra não saber manter distância quando minimamente por perto de ti. Mas como pode uma vontade [até onde sei, mútua] ser considerada oposta? E se tudo parece tão simples, tão ridiculamente óbvio, por que diabos a gente simplesmente não consegue?

Ou quem não conseguiu fui eu?

domingo, 22 de agosto de 2010

Como tranquilizar sua autoestima com uma simples e rápida análise

Sabe quando tu conta pra amiga que o fulano te convidou pra ir ao apartamento dele, e ela te diz 'mas ah, ele só quer te comer'? 

Então que filosofando sobre isso eu entendo que não, quando isso acontece, o cara não quer só te comer. Digo, nem te comer o desgraçado quer, ele apenas comeria se você fosse até lá, o que é totalmente diferente. Porque se quisesse mesmo te comer não haveria força da natureza que impedisse esse animal de encontrar a presa onde quer que estivesse e arrastá-la pelos cabelos feito um homem das cavernas pra uma sessão drástica de sexo selvagem, mas tudo isso depois de pelo menos alguns telefonemas, e-mails, um jantar ou um cineminha. A diferença de quando ele comeria [ênfase no futuro do pretérito do verbo], é que o filho de uma puta em questão não faz nada além de mal e porcamente te provocar enquanto espera que tu sucumbas à tentação de aparecer no apartamento dele quase sem prévio aviso, usando ligas pretas e quase [na cabeça dele] implorando pra ser comida antes que esquente o vinho que ele abriu pra te esperar.

Portanto, se tem um mané aceitável aplicando esforços visíveis só pra te comer, deixa de frescura e dá de uma vez. Podia ser pior, um amigo dele poderia ouvir desse cafa 'fulana? comeria, mas hoje a noite tem futeba com a galera...'

quinta-feira, 19 de agosto de 2010

Eu realmente queria que você tivesse ido a São Paulo comigo

Antes mesmo de chegar [logo depois de sair, pra ser mais exata], eu já senti uma vontade enorme de alguém de sempre, algum elo com o que eu deixava [mesmo que apenas temporariamente] pra trás. Só de pensar em pra onde eu ia, aquele lugar gigante e populoso e frenético eu me senti ridiculamente pequena e sozinha.  Aquela cidade esmaga e sufoca a gente, e lá eu te quis por perto pra me ajudar a respirar um ar que eu conhecesse.


Em cada esquina em que eu parava, esperando uma eternidade até o sinal [sem temporizador] abrir, eu pensava em como seria legal dividir aquilo com alguém que conheceu meu pior e um pouco do meu melhor também, mas principalmente meu pior; porque é isso que distingue convivência de amizade e as duas de todo o resto: na tua frente eu não me impediria de chorar de saudades de casa nem de raiva de alguém.


Eu quis querer o que o vento não leva
Prá que o vento só levasse o que eu não quero
Eu quis amar o que o tempo não muda
Prá que quem eu amo não mudasse nunca
Eu quis prever o futuro, consertar o passado
Calculando os riscos
Bem devagar, ponderado
Perfeitamente equilibrado
Até que num dia qualquer
Eu vi que alguma coisa mudara
Trocaram os nomes das ruas
E as pessoas tinham outras caras
No céu havia nove luas
E nunca mais encontrei minha casa


Porque o tempo passa, mas eu não aprendo a me despedir.

sábado, 31 de julho de 2010

Se o mundo acabasse amanhã,

Eu confessava tu-do.

Revelaria cada reles pensamento megalômano, declarava cada atração reprimida e pronunciava cada insulto que engoli em nome da boa educação.

Declarava que quero toda a atenção de todo mundo, que não vejo a hora de ser admirada adorada venerada por leitores de bom gosto, ouvintes de boa música e apreciadores de bons filmes.

chamava pra sair cada pessoa que já me atraiu de alguma forma carnal, tomava três martinis e beijaria cada uma que aceitasse meu convite.

Enfiava a mão na cara de quem me apunhalou e gritava as verdades mais ridículas e cruéis pra todos que algum dia já me fizeram triste.
.
.
.
Mas amanhã é outro dia, e isso tudo é pura ficção.

Ah, então era isso

Deve fazer nem duas semanas que decidi e tenho colocado em prática a promessa que toda mulher faz antes de uma festa: ‘não, quando eu chegar em casa, vou tirar toda a maquiagem antes de dormir, claro. E não deito sem passar todos os cremes pra todas as partes do corpo que jazem na minha prateleira’. Cla ro que, ao chegar em casa as 5 da manhã, ainda meio de pileque, mulher nenhuma [ao menos não as naturais e verdadeiras consigo mesmas] faz isso. No máximo lava os pés, se tirou a sandália pra dançar,e finalmente tomba na cama, mal tirando do caminho as roupas que experimentou, decidiu não usar e acabaram não sendo guardadas porque a dona saiu já atrasada.

Mas eu falava da toilete facial noturna, não? Pois bem. Depois de adquirir esse hábito, eu estremeço só de me imaginar apagando a luz sem remover o rímel dos cílios. O skin cleaner veio do banheiro para o quarto e parece evaporar, enquanto os cremes voltaram ao criado mudo que habitavam um ano atrás; inclusive, depois de alguns dias, a necessidade de cuidado comigo mesma se expandiu: nem dormir de meias eu consigo mais, coisa que adorava fazer, muito menos puxar as cobertas sem sentir meus pezinhos devidamente hidratados. E eu sei que a ideia pode parecer um pouco enrolada, então vou apresentar uma analogia pra quem sabe me explicar melhor; pois mesmo parecendo um texto sobre feminices, no fundo quero falar sobre a difícil arte de crescer.

Eis então a analogia: imaginem um ser humano prestes a entrar na puberdade. [mas um humano de mais antigamente, que acho que os atuais talvez não se encaixem nessa ideia, e isso já é assunto pra outro texto...]. A cada dia, ele acorda e percebe algo novo em seu corpo, eventualmente em seu comportamento e/ou modo de pensar e agir. Depois de muito considerar as novidades, às vezes se assustar com estranhamentos ainda sem a explicação de um adulto, mais cedo ou mais tarde ele descobre o que acontece, num livro, num documentário, qualquer coisa que lhe soe familiar, com que se identifque. Aí tudo faz mais sentido [ou ao menos parece menos confuso], e daí em diante, ele precisa assimilar novos acontecimentos e... responsabilidades, pode-se dizer.

Então que há alguns dias eu tenho sentido um medo estranho, e percebido bem perto de mim como que um compromisso inadiável com coisas que antes eram promessas passageiras, ou ações postergadas pela simples e velha preguiça; Há alguns dias, a vida corre como se eu automaticamente fizesse o que tem que ser feito na hora em que precisa ser feito, e isso flui de modo tão natural quase pareço não ter feito outra coisa na vida. Mas só desde mais ou menos ontem veio aquela sensação de controle sobre as rédeas da própria vida, a compreensão do peso de tanta responsabilidade que tanta gente deposita em mim, e tudo isso de repente soou apenas como “ah, então era isso”.

Agora, o medo do mundo adulto passou. Resta apenas a citação do Ismael: Medo não tenho não, só não sei bem por onde começar...

sexta-feira, 16 de julho de 2010

Retornando às raízes

Não as minhas, só as desse blog mesmo. Que poderia ser o mais atualizado de todos, mas justamente pelo meu perfeccionismo é que vai ficando de lado.
[...]
Breve revisão nos arquivos aqui, e constatei que as influências maiores no meu modo de escrever são o que tenho lido menos acho que de um ano pra cá, ou mais. Me orgulho e me envergonho: ampliei meu horizonte de leitura, mas às vezes parece até infidelidade com quem me proporcionou tanta satisfação. Enfim. Hoje a maior dificuldade é manter dois blogs parecidíssimos, mas aos quais eu tento ao máximo dar teores diferentes. Dá pra sacar que um é mais sobre meu dia a dia, assim corriqueiro, e esse eu tento desenvolver mais as ideias que os fatos? bem, se ninguém notou, ficou a dica...

E hoje, a caminho da última prova do semestre, eu percebi com clareza do que sentia falta de escrever: era disso, de desenvolver a ideia, seja qual for, ideia não me falta nunca. Mas tá, se tem tanta ideia, por que escreve tão pouco? o problema tá explicado ali no início: perfeccionismo demais, auto-cobrança desnecessária. E sabe como começou o processo de libertação dessas amarras auto-impostas? [olha eu cheia das composições, ui]. Foi uma coisa que o amigo Belli me disse ontem, quando me visitava em honra do dia mundial do rock [também conhecido como meu aniversário, p'ros mais íntimos].

Não lembro o contexto exato, mas ursinho colocou algo muito certo: você está sempre no meio. Hein? é, no meio. Nem acima, nem abaixo. No meio. E isso foi uma faísca que disparou - posterior e - descontroladamente múltiplos pensamentos em mim; vou só pontuar pra depois desenvolver: oscilação de humildade, pensamentos de Tyler Durden [e clube da luta como um todo] e suas aplicações no dia a dia dos mortais. Ao desenvolvimento, então.

Oscilação de humildade: meu nível de humildade relativa no ar tem variado bastante ultimamente, indo do 0,3% a 102% no mesmo dia. Porque tem momentos que exigem de mim um auto-convencimento, é impossível não me achar sensacional. O caso é: da mesma forma que tem gente muito pior que eu, tem também uma cacetada de gente muito melhor. E aí chegamos a conclusão do meu amiguinho: meio. Você está sempre no meio.

E disso você pode escolher duas sensações: a depressão, se pensar 'poxa, então não sou nada relevante?', ou uma semi-porém-confortável liberdade misturada com incentivo: porque disso pode-se pensar também 'tá, então tem coisas que se eu quiser fazer [desde que não agridam ninguém], eu posso fazer. E se eu quiser ser relevante, não vai ser fácil, mas se eu me esforçar, eu consigo fazer a diferença'. Ok, muito Poliana isso, mas diz aí se não tem fundamento.

E o Tyler? ah, é aquela coisa de 'você não é o seu carro, você não é sua mobília francesa, deus não te ama  e no fim é só você contra você mesmo'. Ok, nem todas as frases são dele, mas o crucial é que todos esses conceitos abstratos se misturam na minha mente e, de uma forma positiva, me libertam dos freios que minha própria mente cria sem querer e acabam sabotando tantas das ideias geniais que me ocorrem...